terça-feira, 14 de abril de 2009

UMA OUTRA DIMENSÃO DA EDUCAÇÃO E DAS PREOCUPAÇÕES DO SPM. A CONTINUIDADE DOS PROCESSOS SERÁ FATAL PARA OS DOCENTES

A vida é feita de memórias e de saudades e é bom sabermos cultivar isso. Todos nós temos a memória da nossa Escola, da Escola do nosso tempo. Mas também é importante percebermos que cada vez mais a Escola terá de deixar de viver em ambiente fechado, característico das organizações sociais deterministas. Porque a Escola já não pode ser aquilo que nos foi legado, mormente pela Sociedade Industrial, para não irmos mais distante. Enfim, uma Escola com uma actividade centrada em objectivos eminentemente pedagógicos, uma actividade centrada sobre si própria. É inevitável que assim aconteça, em consequência das mudanças tecnológicas que aconteceram sobretudo nos últimos 40 anos: com o aparecimento da televisão nos anos 60 e sobretudo a transmissão directa dos acontecimentos; as auto-estradas electrónicas; a televisão interactiva; o notável incremento dos jornais, livros e revistas; a generalização do computador e a panóplia de softwer’s que abundam no mercado; as redes interpessoais de comunicação informatizada interplanetária, etc.. Isto para além de todos os aspectos do conhecimento que abalaram todas as estruturas sociais, mormente as educativas. Apesar deste notável desenvolvimento da ciência e da tecnologia não será erro dizer que, em muitos aspectos as características organizacionais do sistema educativo ainda padecem do desajustamento entre aquilo que foi a Sociedade Industrial e aquilo que é hoje a Sociedade da Informação. A escola não acompanhou o ritmo do desenvolvimento, apesar de muitos especialistas no campo da educação terem feito alertas. Portanto, a partir da revolução tecnológica (há quem lhe chame a Nova Revolução Industrial) os saltos ao longo dos tempos têm sido significativos, em todas as sociedades e culturas. E aqui chegados isso obriga-nos a ter de ver a Escola pelo ângulo da cultura e não apenas da simples transmissão de conhecimentos. Fundamentalmente porque a Escola não pode estar desinserida de uma política global. Digamos que a sua análise não pode estar isolada do sistema social e de um quadro que anima as actividades do conhecimento, as lúdicas e culturais da Região. É por isso que não podemos falar da Escola sem, inclusive, enquadrá-la na organização social dos tempos livres, no problema da cultura, no problema do lazer. Fundamentalmente, porque a Escola é um concorrente (muito importante) entre as demais ofertas que a sociedade disponibiliza.
Ao ciclo da educação, do trabalho e da reforma que padronizou ideias e comportamentos, junta-se hoje o lazer, o jogo, a própria religião, a prática desportiva informal, enfim, outras actividades interagem de uma forma natural e integrada. A Escola, portanto, não está só na panóplia das ofertas. E isso exige que tenhamos consciência que existe hoje um tempo organizado, um tempo digamos burocrático, mas também um tempo de cultura, que organiza as sociedades e no qual a Escola terá de se organizar. A legislação que vem sendo produzida desde 1998, caso concreto, por exemplo, o modelo de administração e gestão, é um exemplo importante, quando se pretende dar à Escola outro tipo de responsabilidades. Só que não tem dado. Existe a lei mas a autonomia não. Daqui se deduz (seja como for) que a Escola não pode ser entendida como uma instituição fechada. Ela vive num determinado ambiente social e é nele que tem de interagir. Não podemos, por isso, ver a Escola somente na sua organização, como sistema isolado. Temos de ver a Escola como um sistema integrado num sistema mais amplo, no sistema social.
A ALTERNATIVA SPM tem preocupações a este nível e queremos desenvolver e influenciar políticas que tornem a ESCOLA num espaço de aprendizagem profícua e agradável, de felicidade para toda a comunidade educativa. Mas, para isso, necessário se torna que o SPM tenha uma outra dimensão da Educação e uma outra credibilidade junto do poder político e da própria sociedade. É esse o nosso caminho. É esse o futuro do SPM.